03nov 2016

O ano da saudade

Postado por às em Comportamento

A gente sempre brinca que o ano tá péssimo porque, convenhamos, é mais fácil sofrer coletivamente e chega a ficar engraçado o tanto de postagem sobre. Mas confesso que 2016 foi um ano denso, pesado e difícil demais. Tão difícil que me senti obrigada a colocar isso para fora.

É tão estranho porque eu mal vi o ano passar, mas ao mesmo tempo me peguei chocada ao perceber que já estamos em novembro. É isso, menos de dois meses da data de hoje e já vai ser 2017. E ao mesmo tempo que dá um alívio que esse ano vai terminar, bate um desespero de que o próximo seja ainda mais complicado.

Assim como eu gosto muito de montar a playlist com as melhores músicas do ano e também criar listas e mais listas contendo os melhores filmes e livros, também gosto de pensar que cada ano que passa meio que tem um tema, que ninguém definiu, apenas que se repetiu ao longo de 365 dias. 2015, por exemplo, foi um ano em que eu precisei ser absurdamente forte por uma série de razões, mas especialmente de saúde. E eu fui, cara, como eu fui. Mas eu fui tão forte que parece que esgotei a barrinha de energia e agora me sinto desmontando, aos poucos.

Se ano passado foi o ano da força, 2016 é o ano da saudade, definitivamente. Acho que nos meus 28 anos eu nunca senti tanta saudade de tanta gente ao mesmo tempo.

Eu odeio sentir saudade porque, em alguns casos, simplesmente não tem o que possa ser feito a respeito – tem vezes que a pessoa foi embora pra sempre e você nem teve a chance de se despedir. É uma saudade que não vai passar porque não existe forma de resolver isso.

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Tem outras em que a pessoa sumiu, desapareceu da sua vida depois de fazer parte da sua rotina diária, mas não está a muitos quilômetros de distância de você e o coração aperta porque parece tão fácil de se resolver, mas, ao mesmo tempo, não depende só de você.

Em 2016 eu perdi muito e muita gente que, honestamente, deixou um vazio dentro do peito. Teve dias em que me peguei chorando de desespero no chão do quarto, pensando comigo mesma que era isso, não tinha mais como sofrer porque tudo de ruim já havia acontecido e eu estava: errada. É claro que eu estava errada.

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E hoje eu percebi que tinha outra saudade dentro de mim. Acordei mas não senti vontade de levantar da cama. Olhei para as sombras da luz do dia que dançavam soltas no teto do quarto e senti uma saudade enorme. Tentei entender de quem eu estava sentindo falta assim. Não era da minha avó que foi embora antes que eu pudesse dar um abraço apertado – e disso vou me arrepender pro resto da vida. Não era do cara que ocupou o meu coração esse ano quase inteiro e que havia sumido do dia pra noite da minha vida. Não era do amigo que tá do outro lado do mundo, incomunicável e sabe-se lá até quando. Não, dessas pessoas e de mais um monte de gente, sinto falta 24 horas por dia. Dessa vez, eu estava sentindo falta de mim mesma.

Parece completamente ilógico sentir falta de você mesmo, eu sei. Mas foram tantas perdas e desencontros em tão pouco tempo que acabei me perdendo também. Sinto que ando uma companhia difícil de lidar porque parece que apagaram a luz aqui dentro, mas quem me conhece sabe: eu vou sair dessa. Enquanto isso sigo sentindo uma saudade que mal cabe dentro de mim.

Pela paciência e compreensão, eu agradeço e muito.

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24out 2016

You should go and love yourself

Postado por às em Comportamento

Eu não lembro da primeira vez que alguém me disse que eu era feia. Não lembro também da primeira vez em que me senti feia. Desde que me entendo por gente eu tive essa sensação de me sentir inadequada, inferior.  E ter sido uma criança gorda, claro, contribuiu muito para que isso acontecesse.

Antes dos dez anos eu já tinha conhecido o Vigilantes do Peso. Lembro nitidamente de quando minha mãe me levou para o nutricionista e ele usou a expressão obesidade infantil para descrever meu caso. Em uma sociedade que considera gordos repugnantes, eu voltei para casa e só conseguia sentir ódio de tudo aquilo que eu era.

Desde muito pequena fiz dieta. Ouvia insultos das meninas mais velhas na aula de jazz e me perguntava o que tinha de tão errado comigo para ter nascido nesse corpo tão nojento. Queria ser como a menina magra, branca, de olhos azuis que todos os alunos e professores elogiavam. A mim restavam duas opções: ser odiada ou ser ignorada. Comecei a me esforçar para estar sempre na segunda categoria.

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Já tentei passar o dia inteiro sem comer e me odiei quando não consegui. Já tentei forçar o vomito depois de comer o que as pessoas chamam de “gordice”, afinal a palavra gorda está sempre associada a coisas ruins, nojentas, repugnantes. Já tomei laxante pra tentar emagrecer. Já tomei água até quase vomitar para tentar enganar a fome. Já dormi rezando para que minha alma fosse magicamente parar em um corpo que fosse amado.

Quando eu tirei o siso e passei alguns dias em uma dieta líquida, emagreci. “Como você tá linda!’, me falaram no colégio. “Tirar o siso te fez bem”, elogiaram meus familiares. E assim eu entendi que eu poderia continuar comendo pouco até ficar mais e mais magra. Era ano de vestibular, eu tinha terminado um namoro e acordava triste todos os dias.

A cada quilo a menos eu me tornava mais interessante para as pessoas ao meu redor. Meninos que nunca olharam para mim começaram a me notar, as meninas populares passaram a me tratar com respeito. Eu passei a viver de sopa de pacote, alface e peito de frango. Se algum dia me descontrolava, tentava vomitar mesmo sem conseguir. Me odiava por não conseguir. Fazia abdominais até a exaustão, ocupando o tempo em que deveria estar estudando.

Cheguei aos 48kg me sentindo gorda. A barriga ainda estava lá, os meus peitos viraram duas azeitonas, mas meus ossos apareciam cada vez mais e todo mundo me elogiava. Era assim que eu iria conseguir ser aceita? Então valia o sacrifício.

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Um dia eu estava saindo do banho e minha mãe me viu nua. Ela viu minhas costelas aparecendo entre os meus seios e começou a chorar. Tinha algo de errado comigo, ela me disse, mas eu tinha certeza que ela estava louca. Afinal de contas, não era o que ela e todo mundo queria? Desde a primeira vez que eu fui pro Vigilantes do Peso, desde a minha primeira dieta dos pontos, o objetivo não era ser o mais magra possível?

Cheguei à conclusão que todo mundo estava contra mim, eram todos invejosos que fingiam que queriam o meu bem, mas na verdade queriam ter a minha magreza. No dia seguinte, minha mãe chegou do trabalho com uma pizza, um bolo e um brownie e insistiu para que eu comesse. Eu chorei imaginando que eu iria perder tudo aquilo que tinha conquistado a duras penas. Era 2009.

No ano seguinte, eu comecei a cursar Jornalismo. Entre festas, baladas e churrascos, eu fui redescobrindo a minha paixão por comida. Sentia ânsias incontroláveis de comer tudo que houvesse na minha frente (escondida, é claro): leite condensado, pacotes de bolacha, o que tivesse na frente eu comia escondida no quarto. Me sentia culpada, tentava vomitar, não conseguia. Me odiava. Engordei tudo o que tinha emagrecido e mais um pouco em dois ou três meses.

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Pula para 2016. Eu nunca vi um número tão alto na balança. Minha mãe não está viva, cozinhar virou uma das minhas paixões e eu não sei mais o que é me privar de fazer algo que eu amo para ver um número diferente em um aparelho. Eu ainda me incomodo quando minhas amigas magras falam que elas estão gordas e, portanto, feias, porque eu sei que elas devem me achar feia por ser gorda.

E depois de muito sofrer por causa do meu peso, depois me odiar todos os dias, eu estou, aos poucos, encontrando paz com quem eu sou. Sou mais consciente do meu corpo, consigo valorizar os detalhes que fazem com que eu seja única, aprendi que o meu valor não está em peso, em comidas, em dietas. Está em camadas mais profundas, que nem todo mundo consegue perceber. Mas eu percebo.

Aprendi que comida não é inimiga, não é a solução dos meus problemas, não é companhia para afogar as mágoas. É algo que deve fazer bem para o meu corpo, me dar prazer, mas de uma maneira saudável. Comida não pode ser recompensa ou punição. 

Claro que nem todo dia é uma maravilha, nem todos os dias eu me sinto bem. Mas cada segundo que eu me sinto bonita é um passo a mais para me desvencilhar de uma doença que me causou muito sofrimento e para combater esse controle doentio que a sociedade exerce sobre os nossos corpos.

20out 2016

QF Indica #02

Postado por às em Livros, Música, Séries, Vale a pena conhecer

Olá, gente bonita! Estou aqui mais uma vez para deixar algumas dicas de coisas interessantes que eu li, ouvi, comprei ou sei lá o que e acho que pode ser interessante para vocês também. E, claro, não deixem de dizer nos comentários a sugestão de vocês – eu sempre estou caçando livros, músicas, filmes e séries novos pra conhecer.

Joanne

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Teria como começar de outro jeito? Nunca fui ultra fã da Lady Gaga, mas gostava dos primeiros discos. O Artpop não ouvi até hoje, confesso, mas fiquei curiosa pra ouvir Joanne quando li que o Kevin Parker (do Tame Impala) e o Mark Ronson estavam envolvidos na produção.

Apesar de ter achado Perfect Illusion meio boring, adorei muito o resto do álbum (que só será lançado oficialmente dia 21, então ainda não está no Spotify) e o meu destaque vai pra Hey girl, uma parceria maravilhosa com a Florence Welch. Mas não vá esperando o pop farofa de ralar a bunda no chão! Apesar de algumas músicas serem dançantes, a Gaga pegou referências mais country para criar Joanne.

Aqui no Papel Pop tem as primeiras impressões do Phelipe Cruz sobre o álbum, vale a leitura!

Um milkshake chamado Wanda

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Falando em Papel Pop e Phelipe Cruz, um das coisas mais legais que eu descobri em 2016 foi o podcast do site. Quem não tem o hábito de escutar podcasts e/ou não sabe o que é, explico: podcast é tipo um programa de rádio, geralmente cada programa tem um tema, os quadros fixos e tudo o mais. É perfeito pra ouvir enquanto você faz tarefas mecânicas, tipo dentro do ônibus, lavando louça ou até mesmo trabalhando (mas aí vai depender da sua capacidade de executar bem as duas tarefas!).

O podcast da Wanda é pra quem curte cultura pop, fofocas de celebridades e essas coisas que permeiam o mundo do Papel Pop, mas o meu quadro favorito é o “Me ajuda, Wanda”, quando eles leem e-mails de ouvintes pedindo pitaco na vida pessoal deles. É muito engraçado, sério!

Esse post do GWS também fala de outros podcasts que valem a pena conhecer. 

The OC

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“Ai, Mariana, mas essa série já tem uns trocentos anos”. Eu sei, eu sei, mas agora ela entrou na Netflix! Eu já vi The OC várias vezes e todas elas são maravilhosas! E, se você ainda não assistiu, tá aí a oportunidade de ver uma das séries adolescentes que mais marcou os anos 2000.

O principal motivo para você ver The OC é a trilha sonora: puta que o pariu quanta música boa. Conheci várias bandas (entre elas The Killers e Death Cab for Cutie) por causa da série, que a partir da segunda temporada começa a narrar uma história que se passa em uma casa de shows. Além disso, é muito engraçado ver como as roupas que as meninas ricas usavam na época hoje em dia seriam muito cafonas (tipo as bolsinhas minúsculas da Louis Vuitton e os casaquinhos da Juicy).

As quatro temporadas já estão na Netflix. Boa maratona! 

Quadrilogia Napolitana

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Não tenho palavras pra descrever o meu amor por essa série de livros! Escrito pela Elena Ferrante, ela conta a história da amigas Lena e Lila, que se conheceram bem pequenas em uma vizinhança pobre de Nápoles, na década de 1950. O primeiro, “A Amiga Genial”, começa quando Lena, já adulta, recebe uma ligação do filho de Lila dizendo que a mãe desapareceu e levou embora qualquer vestígio da própria existência – fotos, roupas, objetos.

Então, Lena começa a narrar toda a história de vida delas com o objetivo de documentar a existência de Lila. O primeiro livro é focado na infância e no início da adolescência das duas e atualmente eu estou lendo “História do Novo Sobrenome”, a continuação de “A Amiga Genial”. Até o final do ano é para sair o terceiro volume da série e eu mal posso esperar para ler!

Também vale a pena ler um pouco sobre a polêmica decisão da autora em manter o anonimato. 

13out 2016

QF Indica #01

Postado por às em Música, Séries, Vale a pena conhecer

Hoje é dia de testar o mais novíssima sessão do Quase Famosas: QF indica. Aqui, nós basicamente vamos fazer um amontado de dicas de coisas que a gente leu, ouviu, viu, comprou, testou e gostou. Por ser algo novo aqui no blog, o feedback de vocês é muito importante! Vamos lá?

DePretas

Esses dias mesmo indiquei por aqui algumas youtubers maravilhosas, mas hoje conheci uma que ficou fora da lista: a Gabi Oliveira. Ela fala sobre temas sérios, especialmente sobre racismo, mas o jeitinho dela é tão especial e incrível que você fica no maior alto astral só de ouvir ela falando. E, melhor de tudo, falando coisas bem relevantes. Vá agora pro canal dela! (Mentira, termina de ler o post antes, mas depois vá lá)

Blonde, do Frank Ocean

Quem já era fã do Frank Ocean sabe o parto que foi pra sair esse álbum: ele confirmava uma data, surgiam rumores que estava quase lançando e… Nada! Em 2016 ele finalmente parou de nos iludir e veio com Blonde, que é amor do começo ao fim. Não consigo parar de ouvir!

Frank Ocean – ‘Nikes’ from DoBeDo Productions on Vimeo.

Bullet journal

Eu sou a desorganização em pessoa. Marco mais de um compromisso no mesmo dia e horário, esqueço de ir no médico, perco guias de exames, não consigo cumprir metas… Mas aí surgiu o bullet journal! Não vou entrar em detalhes porque precisaria de um post só pra isso, mas ele é uma espécie de agenda que você mesmo pode personalizar em qualquer caderno e adaptar de acordo com as suas necessidades. Aqui nesse post do Desancorando tem um passo a passo para você entender melhor.

Easy

Essa série da Netflix fala sobre amor e relacionamentos de uma forma bem natural e despretenciosa. Cada episódio é como se você estivesse vendo a vida de um dos seus amigos ou colegas de trabalho, por isso não espere grandes arcos de acontecimentos ou emoções hollywoodianas. Easy é como ver a vida passando na TV.

E vocês, o que recomendam pra gente? Digam nos comentários! 😉

08out 2016

As maravilhosas Karol Conka e Mc Carol em “100% feminista”

Postado por às em Música

A funkeira carioca Mc Carol e a rapper curitibana Karol Conka divulgaram ontem nas redes sociais a parceria em uma música incrível!


“100% Feminista” é uma música produzida por Leo Justi e pelo Tropkillaz e tem tudo o que a gente gosta: rap, funk e girl power.

Não ouviu ainda? Pfvr, dá play aqui embaixo:

06out 2016

Crise de pânico não é amadorismo

Postado por às em Comportamento

Na última terça-feira (4 de outubro) estreou a primeira edição do Masterchef: Profissionais. Diferente dos programas anteriores, a produção só aceitou competidores que já estudaram ou trabalharam na área e isso refletiu logo nas primeiras provas: desafios mais complexos, provas com mais pressão.

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Durante uma das eliminatórias, a chef Paola Carosella percebeu que os competidores não dariam conta de fazer os dois menus a tempo e, então, chamou os melhores avaliados das provas anteriores (Ivo e Dário) para descer do mezanino e ajudar. Tudo naquele clima de correria, bagunça e gritaria que quem assiste o programa já conhece. A postura do Ivo acabou irritando a Izadora, uma das competidoras, a ponto de ela começar a chorar e perder completamente o ritmo da prova. Ela paralisou, não lembrava mais o que estava fazendo e teve dificuldade pra conseguir raciocinar.

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“Que amadorismo, todo mundo sabe que a pressão em cozinha de restaurante é assim”, muita gente disse no Twitter. Chamaram ela de amadora, incompetente, sensível demais, fraca, mimada. Já eu fiquei assistindo aquilo tudo com um sentimento familiar demais de quem já passou por isso. E isso não é amadorismo, não é frescura. É uma crise de pânico. E já aconteceu comigo no trabalho, no meio de um shopping lotado, em casa, no meio da rua vazia. Por muito menos, ou até mesmo por motivos que nem eu mesma conseguia compreender.

Engraçado que a internet que ficou jogando pedras na Izadora é a mesma que até alguns dias atrás estava postando textão sobre Setembro Amarelo e disponibilizando inbox para os amigos deprimidos desabafarem (tenho muitas críticas a esse tipo de “ajuda”, inclusive, mas isso é assunto para outro dia).

No fim das contas, a Izadora foi eliminada. Com razão, claro, ela não conseguiu ajudar a equipe durante a prova. Mas isso, de forma alguma, significa que ela seja fraca ou que ela não seja capaz.

29set 2016

Você merece mais

Postado por às em Comportamento

O cenário era uma pista de dança, mas poderia muito bem ser uma feira ou uma praça, porque o contexto não fazia muita diferença na minha aflição. Eu olhava o celular em intervalos de 5 minutos, quase que cronometrados. O aparelho parecia pesar uma tonelada nas mãos e eu não conseguia relaxar nem com um exorcismo.

– Tati, você merece coisa melhor, meu bem.

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Era uma das minhas melhores amigas que segurava delicadamente o meu pulso. Eu me senti mal demais e a preocupação dela era real demais também. E eu desabei ali mesmo. Acho que já perdi as contas de quantas vezes ouvi meu amigos falarem essa mesma frase pra mim. Faltariam dedos, das mãos e dos pés, para contar o tanto de vezes que vi neles uma expressão que já me é muito familiar – o olhar de “se eu pudesse, sofreria tudo isso por você”.

Se você já me leu por aqui antes, já deve imaginar do que se trata, não é? Se você é novo eu explico, mas para isso vou ter que voltar um pouquinho no tempo. Eu sofro de algo conhecido como “síndrome do dedo podre” – que nada mais é do que ter o dom incrível de gostar exatamente de quem não gosta de mim. Eu não faço ideia se essa condição médica existe na vida real, mas deveria porque eu vivo isso na pele desde que tenho 14 anos.

Verdade seja dita: eu não relaxo com a minha vida amorosa tem bem uns 15 anos e isso me deixa quase maluca. Eu não tenho do que reclamar, minha vida é boa. Tive a chance de estudar em bons colégios, estou na minha terceira graduação e até mesmo com a tal da crise, não passei muito tempo desempregada. Mais do que isso, eu tive a sorte incrível de ter na minha vida os amigos mais maravilhosos que existem. E quando pessoas tão boas assim fazem parte da sua vida, elas se preocupam com você e sofrem junto com o seu sofrimento. Ninguém quer ver amigo algum na pior.

No dia eu sofria um absurdo por um quase-amor, desses que tinha todas as chances possíveis para funcionar, mas que por um trauma aqui, um desinteresse ali, não saiu de longas e gostosas conversas – das quais sinto uma falta que nem cabe direito no peito. Você pode até rir do outro lado da tela, mas eu sinto como se tivesse terminado um namoro. E foi nesse exato momento que essa amiga perdeu a paciência e fez isso por não aguentar mais me ver daquele jeito sofrido ano após ano.

– Você gosta de sofrer, não é possível!

Conversamos muito depois disso porque desabamos juntas. Se não é fácil ouvir isso, imagina ter que falar essa frase pra alguém que você ama. Não vou dizer que ela tem razão porque a coisa toda é mais complicada do que isso, mas percebi que daria para ter diminuído consideravelmente o tamanho desse sofrimento todo.

Claro, nesse caso em especial, era uma série de coisas que doía, mas acredito que a maior delas seria o trauma de sempre viver histórias tristes de amor. Mas seja como for, no dia seguinte eu tive uma epifania (nunca imaginei que escreveria isso, socorro) às 3h37 da madrugada. Fui juntando traços da minha personalidade aqui e ali e entendi que, justamente por ser uma área tão complicada da minha vida, eu crio expectativas altas em alguns caras. E venho fazendo isso desde a minha primeira decepção amorosa. Sofri passionalmente por pessoas que, honestamente, não estão ou estavam nem aí pra mim.  E foi aí que criei uma teoria que envolve alguns passos e itens.


Primeiramente, Fora Temer.

Em segundo lugar, é importante entender alguns sinais que a pessoa passa para você, que podem demonstrar um certo desinteresse. Às vezes é difícil demais diferenciar, mas entenda: se a pessoa quiser mesmo, ela vai demonstrar isso. Não importa o quão tímida e introvertida a pessoa possa ser.

Depois: trate as pessoas exatamente do jeito que elas te tratam – claro, se a pessoa for babaca, não seja babaca também, se imponha e se defenda sempre, mas nada nunca justifica babaquice. O que eu quero dizer é que você deve ter o mesmo esforço pela pessoa que a mesma tem por você. Isso ajuda a manter as expectativas no cantinho da vergonha.

Eu não estou, de forma alguma, tentando diminuir o que você sente, mas sim colocar em uma perspectiva real a pessoa por quem você sente.

Por último, não espere nada de ninguém. É um exercício e como tal precisa de muita prática, mas é possível. Crie um gaveta mental aí dentro que seja exatamente do tamanho daquilo que a pessoa te entrega e tem para oferecer. O espaço pode aumentar ou diminuir com o tempo, mas o que importa disso tudo é que não depende só de você. Eu muito bem sei o quanto é difícil e doloroso esse processo todo de se frustrar no amor, mas pelo menos assim você consegue diminuir um pouco o que tanto dói aí. E seguimos no modo AA, um dia de cada vez porque isso sempre passa – é como dor de tatuagem, se a gente lembrasse o quanto dói, não faríamos a segunda, a terceira, a décima primeira.

Se quando o Grupo Revelação disse para você “deixar acontecer naturalmente” e você não quis ouvir porque era cafona, escute o que o Tame Impala tem a te dizer então:

Brincadeiras de tio à parte, eu espero que você, seja lá quem for, seja muito feliz e que isso tudo te ajude a enfrentar momentos de coração espremido.

28set 2016

Coletivo feminino: Conheça a Revista Lilith

Postado por às em Comportamento, Curitiba

Aqui no blog, a gente já divulgou e enalteceu (amo essa palavra e vou protegê-la) os trabalhos de mulheres que fazem a diferença. No post de hoje, eu escolhi falar sobre a idealização de um canal de comunicação bastante parecido com a proposta do nosso blog, mas que funciona como um coletivo. Batizada de Revista Lilith, o site conta com 38 colaboradoras escrevendo conteúdos que vão desde empoderamento emocional e intelectual da mulher, até arte, astrologia, beleza, moda, saúde, entre outros.

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Como diz a própria descrição do site, o nome “Lilith” foi escolhido devido a uma história bíblica na qual conta que a primeira mulher existente no mundo se chamava Lilith. “Queríamos um nome de uma deusa, não pelo aspecto religioso e sim por causa da mitologia que cerca as deusas“, dizem as meninas.

Criado pelas curitibanas Ana Vitória Mulatti e Laryssa Bileski, a revista já está no ar e está cheia de conteúdo. Confira aqui

25set 2016

5 youtubers maravilhosas que você precisa conhecer

Postado por às em Tec

Se você, assim como eu, ficou sabendo da existência de youtubers por causa de pessoas como Felipe Neto, Kéfera e PC Siqueira, deve ter tido uma má primeira impressão. Eu, pelo menos, tive. Achei que youtubers eram pessoas que forçavam a barra para parecerem engraçadas e gritavam para provar que estavam certos sobre determinado assunto. Por isso, nunca me dei ao trabalho de assistir algo no YouTube que não fosse clipe de música ou show.

Anos se passaram e eu me deparei com aquele vídeo da Jout Jout que bombou, não tira o batom vermelho. Foi aí que eu percebi que existe, sim, gente legal no YouTube (não que os citados anteriormente não sejam legais… Eles são, mas pra um outro público, muito diferente de mim). Só que como os que estão mais em ~evidência na mídia são os voltados para um público juvenil, decidi separar alguns canais que eu gosto muito para indicar para vocês!

Marília Gabriela

Sim, a Marília Gabriela agora tem um canal no YouTube e é sensacional demais! Ainda é no formato de programa de entrevistas com pessoas muito interessantes, como a Jout Jout, a Bia Granja, o Facundo Guerra… A cada vídeo eu aprendo alguma coisa nova, é muito bom! Indico para quem não curte muito o formato de vlog, já que o canal é bem profissional e parece mesmo com um programa de TV, só que mais curto.

Liliane Prata 

Conheci a Liliane Prata faz pelo menos uns 10 anos – ela tinha uma coluna na Capricho e escreveu um romance chamado O Diário de Débora, que eu amava. Além de jornalista, ela é filósofa e atualmente é editora da revista Claudia. No canal, a Lili Prata fala principalmente sobre comportamento humano – amor, sexo, relacionamento, amizade, autoconhecimento, movimentos sociais e mais uma porrada de coisas que me fazem refletir. É quase como uma sessão de terapia! A voz dela é super zen e me acalma muito nos momentos de estresse do dia-a-dia.

Hel Mother

Eu não sou mãe, não tenho a menor vontade de ser mãe, mas estou apaixonada por esse canal que fala principalmente sobre… Maternidade ¯\_(ツ)_/¯ A Helen Ramos fala sobre tudo sem tabus e de forma muito engraçada! Recomendo principalmente para as mães, mas qualquer pessoa pode tirar muito proveito  do conteúdo – eu já aprendi muita coisa nova e percebi algumas coisas que eu fazia ou falava pra mães que era meio babaca. Sempre bom praticar a empatia, né?

Conto em Canto 

Conheci a Iara porque ela fez pós com dois amigos meus e me apaixonei pelo canal dela! Ela faz tudo bonitinho: cenário, edição, é tudo muito bem feito e o conteúdo não deixa a desejar. Ela fala principalmente sobre literatura, então é ótimo para pegar umas dicas de livros e autores!

PS: acabei fazendo uma lista só com mulheres, mas para quem curte literatura eu também indico o Livrada!, do Yuri. Ele tem uma pegada mais ~cult que a Iara, mas ambos são muito bons.

Olivices Olivices 

A Olivia é pra quem gosta de pessoas tipo a Jout Jout: ela fala um pouco sobre tudo, às vezes ela não fala nada com coisa nenhuma, mas o carisma dela encanta qualquer um! O canal dela ainda é razoavelmente pequeno, mas tem vídeos novos sempre e assisto sempre que preciso relaxar um pouco e rir.

E vocês, já se renderam aos youtubers ou ainda acham que é coisa de adolescente? Recomendam algum canal? Contem pra gente nos comentários!

09set 2016

Que fique claro, não sou lixo

Postado por às em Comportamento

Esses dia eu compartilhei um texto da VICE (http://goo.gl/ZDFnm2) sobre um fenômeno que mais parece um enredo de filme de terror chamado “esquerdo-macho”. E meu amigo, o que teve homem se doendo com esse meu compartilhamento foi algo fora do normal, recebi até inbox.  Confesso que o texto foi, além de mal traduzido, escrito num contexto bem norte-americano, e por esse motivo o cenário traçado ali não se encaixava na realidade de terras tupiniquins.

Acontece que pouco importa o cenário, os hábitos e os gostos, o que interessa nesse texto é justamente o que esses caras estão fazendo com as meninas. O engraçado foi que todos os meninos que se ofenderam com o meu post e vieram se pronunciar sobre isso de alguma forma, fizeram isso com argumentos bobos, criticando justamente o que menos importava naquele texto. Por isso mesmo decidi escrever sobre esse problema bem como ele é no Brasil, que normalmente tem nome, sobrenome e RG.

Vamos começar pela expressão em si. Ela se refere, especificamente, ao rapazes que se consideram pessoas de cabeça extremamente aberta, apoiam políticas sociais, sem preconceitos ou julgamentos e até aí, tudo bem – até porque o mundo precisa muito de gente assim. Acontece que muitos deles se dizem pró-feministas (alguns até curtem páginas e criam playlists que defendem a causa) e é aí que mora o problema. Entendam, não me refiro a todos os caras nesse texto, de forma alguma, mas a um tipo específico. Esses meninos não sabem ficar sozinhos, mas também não querem um relacionamento sério – eles querem ter alguém ali, para sustentar o ego deles. Se eles deixassem isso muito claro e as duas partes concordassem, não teria problema algum. Mas é lógico que isso não acontece.

O cenário real é um cara que tem os gostos muito próximos dos seus se aproximar e começar a se fazer presente e, sem falar nada, o cara não quer nada com você. Você é um opção para ele enquanto ele gosta de alguma menina inatingível, magra, “famosa”, e que honestamente, não tá nem aí pra ele. Mas você tá, porque não tem a menor ideia de que, na verdade, você não significa nada pra ele – tudo isso porque o cara não deixou claro como as coisas eram para ele. Não, ele te deixa achar que você tem uma espécie de relacionamento com ele e isso é pesadelo. Esse tipo de pessoa te deixa em banho maria porque você é isso, você é uma segunda opção.

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E como se tudo isso já não fosse o suficiente para você sofrer um absurdo, você ainda sai como a “louca do rolê”, porque esse cara é tão legal (pelo menos aparentemente), que ninguém acredita que ele trataria mal alguma menina. Acho que dá até pra incluir aqui um adendo, que são as justificativas dele quando confrontado:

Glossário:

– “Você é legal demais pra mim”. (nossa, desculpa mesmo por ser legal…)

– “Eu tô num momento muito ruim da minha vida”.

– “Eu não tô conseguindo me relacionar com ninguém”. (mas daí ele vai ele lá e fica com outra na sua frente, parabéns)

– “Não gosto de rótulos”. (essa é ótima demais)

Eu mesma tenho uma coleção dessas pérolas. E segue o baile.

Eu percebi isso quando uma menina puxou assunto comigo em um banheiro de balada e, em poucos minutos, muitas garotas se juntaram para reclamar do mesmo problemas: meninos que parecem muito legais, mas que tratam a gente feito lixo. É isso. Vocês podem achar ruim eu estar escrevendo isso e eu espero mesmo que vocês achem, porque é desse jeito que vocês nos fazem sentir: como lixo, descartável e sem valor. Péssimo, né? Então parem.

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